Um novo momento para as juventudes no Brasil

dezembro 10, 2010

Socializo artigo produzido para debate no Seminário Juventude em Pauta organizado pela Ação Educação e FES, realizado nos dias 1,2 e 3 de Dezembro em São Paulo.

O Seminário Juventude em Pauta 2010 se realiza em um momento propício para produção de um balanço crítico e propositivo sobre a experiência dos oito anos do Governo Lula e, que aponte desafios para o próximo governo da 1ª mulher presidenta do país.

Neste seminário estarão presentes os principais movimentos, organizações não governamentais, pesquisadores de juventude e militantes da sociedade civil que, mesmo com algumas diferenças, podem caminhar para construção de posições comuns que garantam unidade na defesa dos direitos das juventudes.

A consolidação deste campo político com a produção de uma opinião sobre a experiência da política nacional de juventude e o fortalecimento de uma plataforma no âmbito das políticas públicas será central para que possamos consolidar conquistas e ampliar direitos.

É possível dizer que a as políticas públicas do Governo Federal tiveram impacto positivo sobre as juventudes, principalmente as mais pobres. Tratamos aqui de um recorte mais amplo das políticas, não reduzindo a análise apenas às ações da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), uma vez que esse órgão, além de executor, contribui no sentido de formular e irradiar conceitos e propostas ao conjunto do governo, contando ainda com apoio fundamental do CONJUVE.

As políticas de desenvolvimento econômico e social da década atual permitiram a inclusão de parcelas antes abandonadas pelo Estado, principalmente depois de um longo período de redução enxugamento das funções e da máquina pública e ausência de um olhar específico para este segmento. A criação de 14 milhões de empregos com carteira assinada, a valorização do salário mínimo, a duplicação de vagas nas Universidades Públicas, o novo ENEM, o Prouni, o Pró-Jovem, os Pontos de Cultura, o Luz para Todos e o Bolsa Família, afetaram o cotidiano de milhões de jovens, mesmo que indiretamente com apoio a suas famílias e territórios onde habitam.

A inclusão de jovens em políticas sociais, os avanços no financiamento da educação básica e o acesso à universidade permitiram que jovens dos setores populares tomassem contato com o Estado brasileiro, antes conhecido apenas pela presença das forças de segurança pública. Este impacto abriu a possibilidade para que novas demandas e anseios chegassem à cena pública.

Questões como o Passe Livre, acesso à internet, novas tecnologias, equipamentos e programas de cultura, esporte e lazer, trabalho e moradia dignos, eram demandas não tratadas no debate político, inclusive, fora da agenda das juventudes partidárias e do programa democrático e popular dirigido por Lula. As pautas até então se associavam à educação, mas não com o reconhecimento de direitos específicos.

A discussão sobre demandas específicas iniciou-se na elaboração do Projeto Juventude e posteriormente em estudos, pesquisas produzidas por Universidades e ONGs. Porém, foi por meio da inclusão social e participação de jovens vindos de periferias urbanas, organizados em grupos culturais, comunitários, que pautas específicas apareceram na esfera pública com mais força e peso social.

É preciso reconhecer que assim como os programas sociais, a abertura democrática vivida no governo Lula foi crucial para o reconhecimento de necessidades antes ofuscadas pelo Estado mínimo. Foram vários espaços construídos de consulta pública, inicialmente abertos pela Câmara Federal para a construção do Plano Nacional de Juventude, logo após a constituição do CONJUVE. Finalmente, aquele que considero o mais importante: a realização da I Conferência Nacional de Juventude, em 2008, na qual milhares de jovens tiveram a possibilidade de apresentar seus anseios ao Estado.

Estes espaços possibilitaram que culturas de participação distintas dialogassem e em alguma medida construíssem pontes para a aprovação de suas bandeiras. Longe de resolver os conflitos culturais e políticos das diferentes formas de expressão, sinalizaram a importância do diálogo, da discussão política e forjaram a formação de um grupo de jovens preocupados/as com a participação cidadã e com a defesa dos seus direitos.

As Conferências organizadas pelo governo Lula e a criação de novos Conselhos iniciaram a configuração de uma nova forma de exercício cidadão e de modelo de gestão no Estado, dando passos para fortalecer a participação popular e a democracia participativa. Ao abrir o diálogo com a sociedade, o governo federal convocou a sociedade para definir suas prioridades e exercer uma cidadania ativa, para inverter prioridades do Estado, ampliar o nível de consciência do povo e alargar a democracia brasileira.

Contudo, muitas demandas não foram respondidas e a possibilidade da democracia participativa se consolidar na gestão está em aberto. Por isso, cabem às juventudes, além de reafirmar suas bandeiras específicas, se somar a pautas gerais, como a defesa de uma ampla Reforma Política que deve incorporar, estrategicamente, a participação popular.

Penso que os desafios acima levantados estão diretamente ligados ao avanço da organização das juventudes que, no último período, tiveram dificuldades de financiar iniciativas próprias. Esta deve ser uma preocupação do futuro Governo Dilma, garantir subsídios para apoiar iniciativas, projetos e ações da sociedade civil com o tema da juventude.

Destaco a realização, em junho de 2010, do I Festival das Juventudes de Fortaleza, onde diferentes formas de organização da juventude apresentaram uma Plataforma Política para as eleições de 2010. Por uma decisão das organizações, a Plataforma das Juventudes se somou à iniciativa do CONJUVE, ampliando, assim, sua representatividade com novas organizações, com a elaboração do Pacto pela Juventude e cuja plataforma política apresentada aos/as candidatos/as, foi bem sucedida e deve ser reafirmada para a defesa das políticas de juventude no Brasil.

Nesse sentido, temos que avançar na organização e articulação da juventude brasileira para que possamos exercer maior pressão a fim de assegurar avanços democráticos e, fundamentalmente fortalecer a Política Nacional de Juventude no governo Dilma.

Essa tarefa não será fácil, ao menos pelo que vimos no debate eleitoral, onde os compromissos assumidos com a juventude foram vagos, pouco se considerou a política de juventude construída com Lula e os apontamentos para o futuro não trataram das demandas específicas. Mesmo a discussão sobre as drogas, principalmente o Crack, contribuíram para retroceder acúmulos conceituais elaborados, que apontavam para a superação da juventude como um problema social.

Portanto, será necessária uma unidade forte de um campo político progressista da sociedade civil , que aponte para:

· Garantir maior força política da institucionalidade de juventude no governo, garantindo status de ministério à SNJ, sem que isso traga prejuízos para a necessária transversalidade da política de juventude;

· Organizar o Sistema Nacional de Juventude com participação social e fundo público para dar capilaridade às PPJs;

· Avançar na consolidação de leis, com a aprovação do Plano Nacional de Juventude e do Estatuto Nacional de Juventude no Congresso Nacional;

· Organizar a II Conferência Nacional de Juventude que sinalize para um novo patamar no debate de juventude, para além de bandeiras, sinalizando desafios estratégicos das políticas de juventude;

· A eleição do próximo Conselho Nacional de Juventude, que deve ser mais amplo, representativo e ser alvo de maior controle social das juventudes no Brasil;

· Fortalecer fóruns e redes de caráter municipal, estadual e nacional que permitam ampliar a solidariedade entre as pautas e garantir maior articulação e incidência nas políticas de juventude.

Sem dúvida, para ter êxito neste caminho, será necessário um esforço das juventudes partidárias do campo democrático e popular e dos movimentos juvenis históricos (Movimento Estudantil e Sindical) de se abrirem para um diálogo sincero com questões vindas de uma realidade pouca conhecida, expressão de anseios e necessidades da grande maioria da juventude.


Candidatura à Presidência do CONJUVE

dezembro 7, 2010

Pessoal,

apresento aqui minha carta de inscrição para a disputa da presidência do Conselho Nacional de Juventude – CONJUVE. Embora apenas os/as conselheiros/as nacionais votem, optei por divulgá-la para dar visibilidade a este importante instrumento de participação e controle social da juventude no Governo Federal. Espero que gostem e comentem.

 

Conselheiros e conselheiras,

Eu, Gabriel Medina, membro do Fórum Nacional e Movimentos e Organizações Juvenis, apresento minha candidatura à presidência do CONJUVE, fruto de uma trajetória militante no campo dos direitos das juventudes. Essa construção foi permeada por um processo, coletivo e individual, de lutas, sonhos e realizações da juventude brasileira.

Participei dos principais processos de reivindicação e elaboração de Políticas Públicas de Juventude no Brasil nos últimos dez anos. Junto aos movimentos sociais e juvenis, estive sempre ao lado das reivindicações populares, por mais justiça, igualdade e respeito à diversidade.

Em 2002, 2003, 2005 e 2009, durante o processo de organização do Fórum Social Mundial (FSM), fiz parte do comitê de organização do Acampamento Intercontinental da Juventude. Ao lado de jovens brasileiros e de outras partes do mundo construímos experiências e reforçamos lutas para construir um outro mundo possível e necessário.

Em 2003, participei da construção do “Projeto Juventude”, um amplo movimento que reuniu diversos setores da juventude reunidos na sociedade civil e nos governos, coordenado pelo Instituto Cidadania. Esse projeto gerou uma publicação que marca o início de uma elaboração coletiva dos movimentos de juventude, junto a intelectuais e universidades, de diretrizes e propostas para a construção de uma Política Nacional de Juventude. O “Projeto Juventude” apontou os principais desafios para o Governo Federal nesta área e, mais do que isso, construiu uma metodologia, pautada no diálogo geracional e no envolvimento das diferentes formas de organização das juventudes.

Nesse período, também fui assessor parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo e tive a oportunidade de participar da 1ª comissão de políticas de juventude, assim como, acompanhar uma experiência inovadora no âmbito municipal: a Coordenadoria de Juventude da gestão Marta Suplicy.

Em 2004, participei do processo de construção do “Plano Nacional de Juventude”, coordenado pela Câmara Federal. Em São Paulo, contribuí com a organização das etapas municipais e estadual e fui à Brasília participar da elaboração da versão final do Plano que está em tramitação no Congresso Nacional.

Nesse mesmo ano, ajudei a fundar o Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis (FONAJUVES), espaço de articulação e diálogo de diferentes formas de organização das juventudes que cumpre um papel destacado na formulação de políticas públicas e exercício do controle social no Brasil.

O FONAJUVES foi fundamental para a criação de espaços de debate da sociedade civil organizada na construção do Plano Nacional de Juventude, na I Conferência Nacional de Juventude e, mais recentemente, no fortalecimento do Conselho Nacional de Juventude. Antes dele, as articulações se davam apenas no âmbito das juventudes partidárias e da União Nacional de Estudantes (UNE).

Participo do FONAJUVES por meio do Movimento Música para Baixar – MPB, que procura debater a importância da cultura livre difundida na internet. O MPB tem lutado pela reforma do direito autoral, pelo Plano Nacional de Banda Larga, pelo Software Livre e acredita que a internet se consolida como uma importante ferramenta para a democratização da informação e da cultura. Por meio dela, é possível fortalecer as reivindicações da juventude, articular os movimentos e, principalmente, incluir amplos setores da juventude, antes limitados a um território restrito, seja um bairro de periferia das grandes cidades ou mesmo na área rural.

A possibilidade de promover trocas, compartilhar projetos e construir estratégias comuns para participar na arena política é a grande virtude do FONAJUVES. Espaço que prima pelo respeito ao diferente, pelo diálogo democrático e pela luta por mais direitos e autonomia dos jovens no Brasil.

Paralelamente a isso, durante meu curso de Psicologia na Universidade São Marcos, militei no movimento estudantil, participei de duas gestões do CA de e mais duas gestões do DCE e estive na Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia – CONEP.

Depois de formado, fui convidado a trabalhar na gestão da Prefeitura Municipal de Araraquara em 2006. Atuei na coordenadoria de participação popular e ajudei a impulsionar a montagem da Política Municipal de Juventude. Araraquara foi uma das primeiras cidades do Brasil a organizar sua Conferência Municipal de Juventude, articulada com a I Conferência Nacional de Juventude do Governo Federal.

Nas eleições municipais de 2008, saí candidato a vereador, tendo como pautas principais juventude e cultura e obtive uma boa votação, que me colocou na 2ª suplência da Câmara Municipal de Araraquara.

Toda esta trajetória foi marcada por uma metodologia de trabalho: a da construção coletiva, da valorização da roda, do diálogo e do respeito às opiniões diferentes. A construção de uma nova cultura política é uma tarefa das novas gerações.

Coloco agora a candidatura do FONAJUVES, representada por mim, à disposição do CONJUVE. Dentre os inúmeros desafios, uma candidatura à presidência deve necessariamente defender o fortalecimento do Conselho para que cumpra seu papel, que é o de ser um espaço de diálogo plural para a elaboração de PPJs e de ser um órgão de fiscalização e controle das ações do executivo.

Esta é uma candidatura que representa os movimentos de juventude, suas distintas formas de organização e expressão, que buscará fomentar o diálogo e o respeito às diferenças. Entende-se que a juventude é marcada pela diversidade: somos jovens negros/as, mulheres, estudantes, rurais, trabalhadores/as, jovens com deficiência. Mas, mesmo com questões específicas, necessitamos ter espaços de encontro e diálogo para construir pautas comuns e criar solidariedade entre suas demandas. Tenho sensibilidade para as mudanças dessa geração, que encontra novas formas de se organizar e se expressar politicamente. Redes, fóruns, movimentos comunitários e culturais são formas de participação que precisam ser respeitadas e incorporadas na arena política.

Entendo que a presidência é um espaço importante, mas só pode ter êxito se for parte de um projeto coletivo, com o envolvimento e apoio das entidades, movimentos e, organizações que compõem o Conselho. Sei da importância que terá uma mesa diretora forte e também de coordenadores/as de comissões ativos para que possamos realizar um bom trabalho em 2011, ano que se inicia um novo governo e no qual a política de juventude cria seus contornos e prioridades. Comprometo-me a trabalhar com um espírito coletivo e agregador.

Propostas ao CONJUVE – ano de 2011

O CONJUVE é um dos principais instrumentos de participação popular e controle social da juventude brasileira. Desde sua criação, ainda recente, foi possível perceber muitos avanços e conquistas. Pouco a pouco, o CONJUVE construiu sua identidade e ampliou sua capacidade de interferir nos rumos da política de juventude.

O ano de 2010 foi marcado por muitas conquistas, asseguradas por uma unidade das organizações, que nos permitiu, por exemplo, aprovar a PEC 65 no Congresso Nacional. A construção do Pacto pela Juventude foi outra importante vitória das organizações da sociedade civil que compõe o CONJUVE. Por meio dele, diversos/as candidatos/as do país tomaram contato com as 12 prioridades definidas pela sociedade civil para a política nacional de juventude. É necessário construir uma força tarefa para que a política pública de juventude defendida no documento se transforme em uma das prioridades na agenda do legislativo e executivo.

Ainda, merecem destaque os esforços empreendidos pelas últimas gestões do CONJUVE no sentido de consolidá-lo como espaço de elaboração e produção de políticas públicas de juventude. Avançar na organização de pesquisas, seminários, oficinas para a produção de diagnósticos, relatórios e documentos com proposições no campo das políticas de juventude deverão ser uma das tarefas prioritárias do Conselho.

É preciso também fortalecer o papel fiscalizador do CONJUVE como órgão de participação e controle social. Nesse sentido, o Conselho deve ter capacidade de desenvolver avaliação e monitoramento sistemáticos sobre a gestão do Governo Federal, tanto no que se refere ao trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Juventude, quanto aos programas de juventude organizados por outros Ministérios.

A prioridade do ano de 2011 deverá ser o engajamento do CONJUVE na organização da II Conferência Nacional de Juventude. Fundamental será que a Conferência aponte caminhos para a consolidação da Política Nacional de Juventude, como uma prioridade na agenda do Governo Federal e com força para se enraizar nos Estados e Municípios. Para tanto, CONJUVE deve ser protagonista no processo de condução da II Conferência, tanto na comissão organizadora nacional, como na construção das etapas municipais e estaduais.

A mesa diretora do CONJUVE é uma instância fundamental para garantir que as ações do CONJUVE sejam viabilizadas. Da mesma forma, gostaria de destacar a importância das comissões permanentes e dos grupos de trabalho para que o Conselho realize seus objetivos institucionais. É nas comissões que a base das ações mais importantes é construída, por isso, serei um defensor de todo o apoio técnico e político para o pleno funcionamento das comissões.

A garantia de maior transparência e visibilidade nas ações do Conselho são desafios permanentes. Defenderei que haja uma prestação de contas trimestral do CONJUVE aos conselheiros/as e à sociedade, disponível no site, onde devem ser publicados também o calendário e as atas de todas as reuniões do Conselho. Com o avanço da tecnologia, principalmente da internet, o CONJUVE deve buscar a utilização de instrumentos que garantam maior visibilidade de suas ações, democratizando sua relação com organizações e jovens em todo o país.

Pretendo apoiar e fortalecer a Rede de Conselhos de Juventude e os Encontros dos Conselhos, que vai para sua terceira edição. A consolidação da Rede de Conselhos, associada ao fomento à criação de Conselhos nos Estados e Municípios é um desafio permanente do CONJUVE e é uma forma de garantir sua capilaridade e peso nacional.

Por fim, quero registrar meu compromisso de dar continuidade a uma trajetória construída até aqui de compromisso com a pauta das juventudes e com os valores da transformação social, da construção coletiva, da participação popular e da democracia. O CONJUVE deve ter um papel central no próximo período para o avanço das políticas de juventude no Brasil, universais e específicas, que fomentem a ampliação dos direitos, a participação, o respeito à diversidade e fundamentalmente, contribuam para a emancipação e autonomia das juventudes no Brasil.


É essa a liberdade de imprensa que Geraldo e Serra do PSDB defendem?

setembro 23, 2010


PERGUNTA INCÔMODA: A QUEM INTERESSA ESTE VAZAMENTO?

setembro 8, 2010

A quebra de sigilo fiscal da filha de José Serra, que ocorreu em setembro do ano passado, só resolveu indignar a imprensa e a campanha tucana agora. Trata-se de uma revolta conveniente.

Observe que absurdo! Fiz um breve levantamento na Internet de vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal. Veja que lamentável:

Informações sigilosas são vendidas em CDs na Santa Efigênia em SP

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL26277-5605,00-INFORMACOES+SIGILOSAS+SAO+VENDIDAS+EM+CDS+NA+SANTA+EFIGENIA+EM+SP.html

Polícia prende quadrilha que vendia dados sigilosos da Receita Federal em SP

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL26487-5605,00.html

Feira de dados continua livre em SP: em nova investida, repórter compra CD com listagens da Receita Federal por R$ 95

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/08/24/feira-de-dados-continua-livre-em-sp-em-nova-investida-reporter-compra-cd-com-listagens-da-receita-federal-por-95-917471179.asp

Primeiro os marqueteiros até tentaram transformar Serra em Seu Zé, em amigo do Lula, mas não colou. Agora, Serra usa uma investigação ilegal sobre a filha em tema de campanha.

Se existe alguém sem interesse algum em atacar a filha de Serra é a candidata de Dilma Rousseff. Todos os analistas políticos sabem que a tarefa de Dilma é convencer os eleitores de que ela poderá dar continuidade as mudanças que Lula implementou no país. Denunciar a filha do opositor não demonstraria sua capacidade de governar.

Todo publicitário sabe disso. Mas sabe também que Serra não tem chance alguma se atacar Lula. Por isso, de maneira cínica, usou o nome de Lula em seu jingle e até criou um cenário de uma favela “fake” com sambistas fictícios. Com um novo “look”, o sorriso amarelo e a voz emocionada, Serra, que não se notabiliza pela simpatia, muito menos pela amabilidade, traiu sua base social, a parcela mais tacanha e reacionária da elite brasileira, ao tentar se passar como um continuador da obra de Lula.

Vendo sua linha naufragar, Serra começou a apelar: colocou sua tropa de choque para fazer com Dilma o que eles fizeram contra Lula antes do retumbante sucesso do governo petista. Inundaram os e-mails e a rede com uma enxurrada de preconceitos. Chegaram a falar que Dilma, por ser mulher, só tem dois neurônios. Chamaram Marina Silva de “indiazinha”. Falaram que, por ter lutado contra a ditadura, Dilma seria terrorista. Falam coisas que, por boa educação, prefiro não reproduzir aqui. Mas elas estão registradas nas redes sociais e em alguns sites tucanos que pessoas de boa reputação acreditavam serem pessoas de fino trato.

Sem linha de ação para reverter a derrota acachapante, Serra e a cúpula do PSDB dão sua última cartada: tentam criar um factóide.

AGORA EU QUERO SABER: POR QUE ALGUÉM QUER INVESTIGAR A SUA FILHA?

Graças a certificação digital implementada pela gestão do presidente Lula, os funcionários da Receita Federal, ao se logarem nos computadores da instituição, são obrigados a usar uma chave criptográfica privada, acionada por uma senha intransferível. Assim, quando um funcionário da Receita entra no banco de dados e abre uma declaração de renda de qualquer brasileiro, este fato fica registrado nos computadores da instituição.

Graças a este mecanismo, reduziu-se muito o vazamento de informações protegidas por sigilo fiscal. Tanto é que a funcionária da Receita envolvida na quebra de sigilo foi imediatamente identificada. Ela mostrou que só acessou os dados da filha do Serra porque tinha um pedido aparentemente normal dos centenas de pedidos que recebem todos os dias. O problema é que a procuração da filha do Serra era falsa.

Observe que o sistema da Receita permite rastrear quase tudo que é feito lá dentro. Digo quase porque infelizmente ainda convivemos com vazamentos das nossas declarações que são vendidas nas ruas das grandes cidades, como mostrei nas matérias acima. Pois bem, no caso da filha de Serra nada foi escondido. Nenhum funcionário foi chamado para que deixasse de cumprir sua obrigação. Ao contrário do que aconteceu em 1989, quando a Polícia Civil de São Paulo foi usada para acusar o PT de participar do sequestro de Abilio Diniz.

O plano dos estrategistas de Serra é o mesmo de 1989. Equivale a obrigar os sequestradores a vestirem a camisa do PT. A conspiração de 1989 foi denunciada posteriormente por vários editores arrependidos. Era óbvio que os sequestradores chilenos e canadenses não tinham nada a ver com o PT como ficou esclarecido depois. Mas a imprensa, então collorida, chegou ao absurdo de acusar o PT. O jornal O Rio Branco, do Acre, menos sofisticado, estampou em sua primeira página: “PT sequestra Abilio Diniz”.

Serra agora tenta a farsa similar: “PT viola sigilo fiscal da filha de Serra”. Para repercutir o absurdo, temos os colunistas-daslu Arnaldo Jabour, Merval Pereira e Eliane Catanhêde, entre outros de organizações midiáticas com credibilidade decrescente e reacionarismo em elevação.

Bom, já que Serra não se incomoda em colocar sua filha no centro do debate, minha pergunta é: por que alguém iria querer investigar a declaração de renda da sua filha?

Outra coisa: por que os tucanos não se incomodam em investigar as denúncias contra a Alstom? Por que bloquearam a CPI na Assembleia Legislativa de SP? Por que Geraldo Alckmin assinou contratos com a Alstom mesmo depois de saber que ela estava sendo acusada de pagar propina para políticos no Brasil?

Alckmin nunca procurou saber quem estava sendo acusado? Nunca suspeitou de nada? Quais os encaminhamentos que ele adotou para esclarecer se as acusações contra a Alstom eram procedentes? Quem ele afastou? Ninguém?

Geraldo Alckmin é bom de bico. Treinado por marketeiros, Alckmim fala meia dúzia de números e depois cita 3 frases de efeito em suas respostas.

Chega de descaso e desfaçatez. Os Demo-Tucanos tentam a velha saída das elites cansadas: disseminar factóides. Não dará certo. Acho que os tucanos perderam mesmo não somente as eleições, mas principalmente a vergonha. Chegam a esconde FHC para tentar confundir o eleitorado. Elogiam Lula no período eleitoral, mas, antes disso, tentaram inviabilizar de todas as maneiras o seu governo. O Brasil precisa de uma direita mais decente.

Sergio Amadeu da Silveira


No debate candidato do PSDB estava visivelmente inseguro. Mercadante esteve tranquilo.

agosto 18, 2010

Por Izabela Freitas

Em um apanhado geral das notícias, fica claro que o candidato do PT, Aloízio Mercadante (@Mercadante) teve mais uma vez uma conduta serena e segura durante o debate que aconteceu na última terça-feira (17) pelo site da Folha/UOL.

Mercadante reafirmou suas propostas de trazer o Estado de São Paulo para o futuro, e foi contundente em seus depoimentos. Mesmo quando questionado por um internauta que fez uma pergunta com um tempo maior do que o tempo que constava nas regras do site; sobre a discordância com Sarney, o candidato não perdeu a segurança e respondeu com coerência.

O candidato do PT também foi questionado sobre as pesquisa de votos, e mais uma vez respondeu com firmeza e honestidade, que as eleições estão apenas começando e que espera que os eleitores do Estado de São Paulo votem pela mudança.

O candidato do PSDB Geraldo Alckmin, foi o candidato mais pressionado durante o debate todo. Aloízio Mercadante e Celso Russomanno apontaram as maiores falhas do governo atual e propuseram novas medidas para corrigir as falhas do PSDB, que já está há 16 anos no controle. O candidato do PSDB estava visivelmente inseguro e algumas vezes chegou a responder determinadas perguntas quando já haviam sido feitas na rodada anterior do debate.

O candidato do PSDB chegou a comentar que estava sendo pressionado pelos colegas de debate, e não respondeu com clareza as perguntas feitas pelos internautas. O destaque foi quando um internauta perguntou se Alckmin matricularia seus filhos na escola pública, e o candidato saiu pela tangente e não respondeu a pergunta do internauta.

E ao ser questionado pelo Jornalista Josias de Souza sobre o caso ALSTON, Geraldo do PSDB titubeou e não diz porque não olhou com a devida atenção as denúncias contra a empresa. Apenas afirmou que os culpados serão punidos pelas irregularidades.

Celso Russomano, candidato do PP, fez um debate firme questionando as demoras de atendimento na saúde, e disse que uma de suas medidas consiste na melhoria de salário para valorizar a carreira dos policiais. Além disso, juntamente com Mercadante, Russomano também aproveitou o debate para apontar as falhas do governo atual, que teve 16 anos para fazer tudo o que não foi feito.


Insustentável leveza

agosto 17, 2010

LAURA CAPRIGLIONE

Insustentável leveza

É de estarrecer a forma como se comporta o governo do Estado de São Paulo quando o assunto é educação. Agora, uma medida que se chegou a apresentar como revolucionária cai por terra antes mesmo de ser aplicada. Trata-se do chamado “vale-presente” -a Secretaria da Educação daria R$ 50 a alunos que, em dificuldades com matemática, não faltassem a aulas de reforço.

Houve quem visse no “presente” propósitos eleitoreiros, outros acusaram-no de premiar o fracasso escolar (bons alunos não concorreriam ao benefício), outros ainda de ser antieducativo, já que, ao prazer do aprendizado, que deveria ser o alvo do processo pedagógico, se anteporia a força da grana.
Ocioso, agora, discutir as objeções. O que assombra é a leveza beirando a irresponsabilidade com que o secretário Paulo Renato Souza anunciou o cancelamento do programa, ontem, na Folha: “É um projeto que está muito cru”, disse ele. “Muito cru”, secretário?

Tem sido assim a condução da educação pública paulista.

Projetos ditos sensacionais em um dia evaporam no dia seguinte. Isso ajuda a explicar por que são pífios os indicadores de desempenho escolar no Estado mais rico.

E não melhoram, como o próprio Paulo Renato foi obrigado a reconhecer à vista dos resultados do último Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo): “Numa avaliação média, eu diria que tivemos uma estagnação”, admitiu, confrontado com o fato de que a performance em matemática no ensino médio chegou a regredir entre 2008 e 2009.

Em português e matemática, a nota dos alunos do 3º ano do ensino médio atesta que eles têm competência abaixo da que seria esperada para alunos da 8ª série do ensino fundamental.

São 15,5 anos de administrações tucanas em São Paulo.

Uma criou a Escola da Família, outra desidratou-a. Primeiro se trombeteou que professores temporários sem qualificação para lecionar seriam demitidos. Depois o propósito foi abandonado. “Minha primeira obrigação é garantir aula”, disse o secretário, como se alguém discordasse.
Até uma incrível parceria entre a cantora pop Madonna e a Secretaria da Educação chegou a ser alardeada, com direito a foto do secretário e do então governador José Serra em troca de sorrisos com a “Material Girl”.

A ideia era aplicar um tal “programa educacional baseado em princípios cabalísticos” na rede pública. “Não é propriamente um programa formal, mas para desenvolver psicologicamente. Para enfrentar melhor a vida”, disse Serra à época. Foi só a mãe de Lourdes Maria voltar para casa e nunca mais se falou no assunto. Seria tudo uma piada se não se tratasse das vidas e esperanças de tantos jovens.


Lula investiu R$ 580 milhões em hospitais para São Paulo

agosto 14, 2010

Durante o debate promovido pela TV Bandeirantes com os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, acusou o Governo Federal de ter reduzido o repasse na área de saúde para São Paulo. Ao contrário do que disse o ex-governador tucano, o Governo Lula investiu um total de R$ 580 milhões em saúde e grandes hospitais no Estado de São Paulo.

O Governo Lula transferiu R$ 9,2 milhões para procedimentos de média e alta complexidade, manutenção de equipes de profissionais, medicamentos e vigilância sanitária, o dobro do valor gasto pela gestão do PSDB, R$ 4,2 milhões.
O repasse do Governo Lula beneficiou as regiões das cidades de São Carlos, Guarulhos, Diadema, Santo André, Campinas e São Bernardo do Campo.

Em São Carlos foram repassados para o Hospital Escola Municipal, R$ 37,7 milhões; para o Hospital Prefeitura, entre obra e equipamentos, R$ 12,5 milhões; e para a Fundação Universidade de São Carlos, R$ 3 milhões. O Hospital Ouro Verde de Campinas recebeu R$ 41,8 milhões para obras e equipamentos. Guarulhos foi beneficiada com R$ 18,6 milhões para o Hospital do Bairro dos Pimentas.

Na região do Grande ABC, São Bernardo do Campo recebeu R$ 102 milhões para seu hospital. Diadema, um total de R$ 28,1 milhões para a unidade denominada Quarteirão da Saúde. Em Santo André, o Hospital da Mulher foi ampliado e equipado com mais de R$ 6,2 milhões recebidos.

Além disso, o Governo Federal investiu em 103 UPAs (Unidades de Pronto Atendimentos) para o Estado de São Paulo, com funcionamento durante 24 horas e que custaram R$ 186,6 milhões. Em relação às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram gastos R$ 3,7 milhões para a habilitação de 97 unidades. Postos de saúde e unidades especializadas em vários municípios consumiram R$ 140 milhões.

O Estado conta ainda com recursos federais para os programas Farmácia Popular e Brasil Sorridente.

No entanto, o Estado de São Paulo, o mais rico do Brasil e que há 16 anos está sob a gestão dos tucanos, é o único no país que não colabora no custeio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).