MERCADANTE VENCE DEBATE E COLOCA ALCKMIN NA PAREDE

agosto 13, 2010

Além de colocar propostas claras para enfrentar os graves problemas deixados em São Paulo depois de 16 anos de sucessivas gestões do PSDB, o Senador Mercadante disse a melhor frase do debate: “Alckmin não gosta de trens porque não dá prá cobrar pedágio!”

Depois de mostrar que Alckmin não construiu nenhuma nova ferrovia em São Paulo, disse que irá apostar nos trens de alta velocidade e que irá fazer uma ação contundente para melhorar o trânsito em São Paulo.

Na sua primeira intervenção Mercadante disse ser inaceitável que o Estado mais rico do país continue a pagar um dos piores salários para seus professores. Mercadante sabe que sem melhorar nossas escolas públicas, nosso Estado perderá força e nossas crianças terão menos oportunidades de futuro.

Quando Mercadante falava sobre a absurda Educação sem avaliação implantada pelos tucanos, o candidato do PSDB mentiu abertamente ao dizer que em seu governo nunca ocorreu uma greve dos professores. Imediatamente no Twitter as pessoas desmontaram a farsa com diversos links, um deles foi este: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u17943.shtml

O mais difícil para o candidato tucano foi ter que ouvir Mercadante ler um trecho do relatório em que Serra critica a gestão Alckmin para o Tribunal de Contas. Até o candidato a presidente tucano critica Alckmin.

Everton Rodrigues


Para as classes C e D,

agosto 9, 2010

Na foto, o Jabor quando viu a Classe “D” na fila
Por sugestão de amiga navegante baiana, o Conversa Afiada publica esse post do Terra e lamenta profundamente que o Arnaldo Jabor venha a se aborrecer com as filas nos aeroportos:
Empresas

Em busca das classes C e D, TAM venderá bilhetes nas Casas Bahia

Peter Fussy

Direto de São Paulo

Em busca de passageiros das classes C e D, a companhia aérea TAM anunciou nesta quinta-feira uma parceria com a Casas Bahia para vender passagens. A partir do próximo domingo, a empresa vai instalar estandes de venda nas filiais da Casas Bahia na Praça Ramos, na Vila Nova Cachoeirinha e em São Mateus, na capital paulista.

Segundo a empresa, o consumidor poderá dividir o valor das passagens em até 12 vezes no cartão de crédito da rede ou no ItaúCard/TAM, sendo que a parcela mínima será de R$ 20. Após um tempo de experiência, a parceria deve ser estendida para outras lojas da varejista.

Pesquisa citada pela TAM durante o anúncio da parceria mostra que cerca de 8,7 milhões de brasileiros das classes C e D devem fazer sua primeira viagem de avião até 2011. O levantamento foi feito pelo instituto Data Popular.

Atualmente, as classes emergentes representam cerca de 6% dos passageiros da aérea. Segundo o presidente da TAM, a aproximação com as classes C e D tem como um dos objetivos mudar a imagem de “companhia dos executivos”. “Queremos conquistar todos os públicos”, afirmou Líbano Barroso.

Em tempo: primeira página do jornal Agora, o único que presta em São Paulo:

“Passagem de avião para o Natal está mais barata que de ônibus”.


Atacar o Irã: erro iminente

agosto 9, 2010

3/8/2010, Ruqayyah Shamseddine, Al-ManarTV, Beirute
http://www.almanar. com.lb/NewsSite/ NewsDetails. aspx?id=148986&language=en

A partir de 1945, os EUA já tentaram derrubar pelo menos 50 governos estrangeiros – incluída a última tentativa, em curso, de derrubar o governo eleito do Irã. Essa vergonhosa estatística não é resultado apenas de má política externa; quando o presidente Obama assinou a decisão e converteu em lei, dia 1/7/2010, as sanções contra o Irã, não cometeu erro de desatenção, nem errou por descuido. A política externa dos EUA pode ser comparada à ação de um assassino serial.

Estrangulamento econômico e agressão militar contra o Irã

As sanções agem em silêncio, mas são terrivelmente mortíferas. Matam combatentes e não-combatentes indiscriminadamente e covardemente. Basta ver as sanções que os EUA impuseram ao Iraque: o pesquisador Richard Garfield estima que “pelo menos 100 mil ou, em avaliação mais rigorosa, mais de 220 mil recém-nascidos e bebês morreram, no Iraque, entre agosto de 1991 e março de 1998, por causas motivadas ou diretamente relacionadas às sanções econômicas”.

O governo Obama divulgou as sanções econômicas dos EUA contra o Irã como se fossem medidas “pacíficas” – tentativa pacífica de asfixiar a economia iraniana, cujo único objetivo era tentar pacificamente paralisar o país. Não bastasse, no final de junho cerca de uma dúzia de navios de guerra dos EUA e pelo menos uma corveta israelense cruzaram o Canal de Suez seguidas de três esquadras navais – em ato flagrante de provocação e tentativa de intimidação, que veio coordenado com agressiva retórica imperialista.

Dia 1º de agosto, o almirante Mike Mullen – chefe do Estado-maior do exército dos EUA, disse que os EUA têm planos prontos para atacar o Irã. Falando no domingo ao programa “Meet the Press” da rede NBC, Mullen disse que “as opções militares estavam sobre a mesa e continuam sobre a mesa. Espero que não cheguemos até lá, mas é opção importante e é opção já bem compreendida” .

Grande número de jornalistas, dos mais bem qualificados aos inqualificáveis, têm-se dedicado a converter a Resolução n. 1.553 da Câmara de Deputados dos EUA, em petulante brincadeira de desocupados; convertendo o que bem poderia ser uma avalanche de repúdio nascida da opinião pública norte-americana, em retórica a mais oca, para assim suavizar o que jamais deixou de ser manobra política de alto conteúdo tóxico.

O corpo de jornalistas- correspondentes dos grandes jornais já nem falam do número de baixas na população civil, na pobreza e na subpobreza em que naufragam os territórios palestinos ocupados pela entidade sionista ou da grotesca cumplicidade entre regimes ocidentais. Nada disso. A cobertura que a imprensa, jornais e televisão, oferece da invasão, nos dois casos, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, começou com algum alarido e rapidamente se converteu em sussurro, para só reaparecer, sempre tímida, quando clamam aos céus as cinzas de grande número de mortos ou acontece algum aniversário ‘histórico’ sem importância alguma.

Se, ou quando, o Irã for militarmente agredido, não será diferente.

A Câmara de Deputados dos EUA ‘exige’ guerra

A Resolução 1.553 da Câmara de Deputados dos EUA não finge nem tenta fingir que ‘anseia’ por alguma paz. Sua razão de ser vem explícita, jogada à cara do mundo:

“Expressamos integral apoio ao direito do Estado de Israel (…) de usar todos os meios necessários para enfrentar e eliminar a ameaça que vem da República Islâmica do Irã, inclusive o direito de usar força militar.”

Os deputados Republicanos dos EUA deram carta branca a Israel, hoje envenenada e que pode, em breve, estar também encharcada de sangue; o Estado sionista recebeu luz verde e os deputados dos EUA lhes gritam “Abrir fogo!”

Independente do que o conjunto hoje hegemônico de pseudo-intelectuais e políticos queira fazer-crer ao mundo, Israel não tem qualquer preocupação com a opinião pública, sempre que se trata de agir ao arrepio da lei internacional e de qualquer lei. Incontáveis vezes, sempre e sempre, Israel já deu provas de que sua agenda está acima de qualquer lei, e ninguém, até hoje, conseguiu levar o regime sionista às barras de algum tribunal, ou obrigá-lo a prestar contas de uma lista-de-lavanderia de crimes de guerra contra o povo palestino e o povo libanês. Israel não é Estado de Direito e jamais obedeceu a lei alguma, sempre em conluio com seu parceiro de crimes, os EUA.

As forças de ocupação israelenses já treinam para atacar o Irã

Dia 30 de julho, a mídia em Israel noticiou que as Forças de Ocupação Israelenses estavam em “treinamento militar na Romênia, em terreno montanhoso e de cavernas, semelhante aos túneis de montanha nos quais o Irã enterrou suas instalações nucleares. Seis aviadores israelenses morreram em acidente com um helicóptero Sikorsky “Yasour” CH-53 nas montanhas dos Cárpatos romenos, na 2ª-feira, 26/7. O acidente ocorreu na fase final de exercício conjunto de três exércitos, EUA-Israel-Romê nia[1], em que se simulava um ataque ao Irã”.

A rede PressTV libanesa noticiou, dia 1º/8, que Israel ameaça abertamente bombardear as instalações nucleares iranianas há anos, mas

“a probabilidade de ataque desse tipo aumentou significativamente, dada a crescente impaciência de Telavive com as sanções do Conselho de Segurança da ONU e dos EUA e outras medidas assemelhadas adotadas unilateralmente pelos EUA e pela União Europeia, que até agora não apresentaram o resultado esperado de alterar a posição de Teerã, de defender seu programa nuclear para fins pacíficos.”

Ouvem-se mais altos os tambores de guerra e o sinal é mais claro

Senadores dos EUA declararam, em uníssono, que as sanções contra o Irã não impedirão a República Islâmica de perseverar em suas “ambições nucleares” – em termos que leigos entendam: os políticos norte-americanos ‘exigem’ que o Irã pare de fazer o que o Irã já declarou incontáveis vezes que não está fazendo. Se o Irã não parar de fazer o que não está fazendo (i.e. fabricando bombas atômicas etc.), haverá consequências, incluído aí um cenário de Apocalipse, que interessa muito, é claro, a Israel.

Do senador dos EUA Joseph “Bombardeiem o Irã” Lieberman:

“Considero profundamente importante que a liderança iraniana fanática entenda que falamos muito sério sobre o programa de bombas atômicas deles, e se dizemos que não aceitamos que o Irã se torne nuclear, não aceitamos e não aceitaremos – e podemos e faremos qualquer coisa para impedir que o Irã se torne nuclear.

Depois virão as sanções, sanções violentas, sanções econômicas. Francamente, é a última chance que damos ao Irã de pouparem o mundo inteiro, inclusive os EUA, de terem de tomar uma dura decisão entre permitir um Irã nuclear e usar nosso poder militar para impedir que continuem nucleares.”

Do senador dos EUA Evan Bayh:

“Temos de considerar a opção final, o uso da força para impedir o Irã de construir uma arma nuclear.”

De Leon Panetta, diretor da CIA:

“Acho que as sanções terão algum impacto (…) Mas afastarão o Irã de suas ambições de alcançar capacidade nuclear? Provavelmente, não.”

Na reunião do G8, em julho, o presidente Obama declarou que o Irã teria prazo até setembro para aceitar as propostas internacionais que visam a impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares. Setembro é o prazo final.

Os EUA não agirão sozinhos em guerra contra o Irã, nem nada leva a crer que os EUA declararão guerra ao Irã. Israel, que já provou sobejamente apoio integral ao terrorismo imperialista terá a tarefa de acender o pavio. Afinal de contas, quem impedirá a entidade sionista ilegal de fazer no Irã o que já fez no Líbano e em Gaza e faz em cada precioso palmo da terra palestina ocupada?

O Irã já se manifestou claramente, sem meias palavras, como tantas outras vezes. O embaixador do Irã à ONU, Mohammad Khazai, já disse que “se o regime sionista cometer qualquer agressão em território do Irã, incendiaremos todo o front dessa guerra que eles inventaram, e Telavive arderá.”

Setembro está perto e logo saberemos se Israel e EUA cumprirão, ou não, suas muitas ameaças. Todas as guerras provocadas por Israel ao longo de sua história de perversidades foram guerra de agressão ditas ‘preventivas’. O tempo dirá se tentarão acrescentar o Irã, como mais uma marca em pistola de matador. Se tentarem, saberão: foi a última vez.


A CHAPA TUCANA

agosto 5, 2010

Era uma chapa muito engraçada
não tinha projeto, não tinha nada
ninguém queria votar nela não
pois seu discurso não tinha chão

Da UDN, copiou o enredo
Mas o problema era o Azeredo
Tentou então apelar para o medo
Pois seu programa era um arremedo

Era uma chapa muito engraçada
Não tinha discurso, não tinha nada
Ninguém queria votar nela não
Pois o seu nível era rente ao chão

Falava de FARCs e dossiê
Porque não tinha o que dizer
Cria que o povo é uma mula
Que não via que o Serra é contra o Lula.

De esquerda, não tinha nada
Era antipovo, era antiquada
Xingava sindicatos e o MST
Porque não tinha o que dizer

Xingava até o MERCOSUL
mas vai perder de norte a sul
Tentou então apelar de novo
Porque a chapa não tinha povo

O que explica seu desespero
chapa dos bobos, número zero
O que explica seu desespero
quarenta e cinco, noves fora, zero


Informe 02 – Julho/2010 – Brasília

agosto 1, 2010

O segundo informe da Rede de Conselhos de Juventude tem o objetivo de detalhar as informações das Reuniões de Trabalho Regionais.
As reuniões são fruto da parceria do Conjuve – Conselho Nacional de Juventude com os órgãos gestores de juventude dos estados sedes.
O objetivo é fortalecer a Rede Nacional de Conselhos de Juventude, ampliando o debate regional sobre os desafios e conquistas dos conselhos de juventude em todo o país.
O público participante esperado são prioritariamente conselheiros e conselheiras de juventude e interessados no tema.

Cronograma: Região Cidade Data
Sul
Curitiba/PR
05 e 06/ 08
Norte
Belém/PA
09 e 10/08
Centro Oeste
Brasília/ DF
12 /08
Sudeste
Rio de Janeiro/RJ
15 a 17/08
Nordeste
Recife/PE
20 e 21/08
Para participar os interessados deverão fazer a inscrição através do site http://www.conselhosdejuventude.ning.com
Cada reunião de trabalho terá uma logística e estrutura própria, definida de acordo com as possibilidades locais.
INFORMAÇÕES GERAIS
ATENÇÃO!!!
A infraestrutura de todos as reuniões regionais só será oferecida para os participantes inscritos dentro do prazo através do site: http://www.conselhosdejuventude.ning.com Região Sul
Local: Curitiba/PR – Hotel Caravelle (Rua Cruz Machado 282 – Centro)
Estrutura oferecida:
Alimentação: almoço e jantar
Hospedagem: para representantes da sociedade civil, nos dias 05, 06 e 07 de agosto
Translado: não está previsto
Informações: marciocarvalho@secj.pr.gov.br
Região Norte
Local: Belém/PA – Centro Integrado de Governo (Av. Nazaré, 871)
Estrutura oferecida:
Hospedagem: não está previsto
Alimentação: almoço e jantar
Translado: aeroporto para hotel e local do encontro
Informações: wcardosoferreira@gmail.com
Região Centro Oeste
Local: Brasília/DF
* A reunião de trabalho acontecerá junto com a 12º Reunião Extraordinária do Conjuve.
Estrutura oferecida: não está previsto nenhum apoio. Informações: angela.simao@planalto.gov.br Região Sudeste
Local: Rio de Janeiro – Centro de Referência da Juventude de Manguinhos
Estrutura oferecida:
Alimentação: almoço e jantar nos dias do encontro
Hospedagem: hospedagem para os participantes inscritos nos dias 15 e 16.
Translado: transporte do hotel para o local de atividades e do aeroporto para o hotel.
Informações: marinar@ibase.br
Região Nordeste
Local: Moreno/PE – Hotel Viver Fazenda
Estrutura oferecida:
Alimentação e hospedagem: oferecidas em todos os dias do encontro.
Translado: transporte do aeroporto e/ou rodoviária para o local do encontro
Informações: aldenir.pele@hotmail.com


Emir Sader: Duas trajetórias distintas

agosto 1, 2010


Em que mãos você gostaria que estivesse o Brasil? Qual o verdadeiro diploma que cada um tem e que conta para construir um país justo, soberano e humanista?

Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas – de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.

No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.

Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades,  seus valores.

José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE.

Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.

No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.

No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade.

Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida.

Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a partir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.

Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.
No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem ideia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que sequestrava, desaparecia, fuzilava, torturava.

Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como  secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil.

Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?


Marina no rumo do PSDB

julho 29, 2010

6:43 | qua , 28/7/2010

Paulo Moreira Leite

Geral Tags: eleição, Marina Silva

Na Folha de hoje, Bernardo Mello Franco informa que a biografia oficial de Marina Silva, candidata do PV à Presidência, tem uma postura definida quanto aos dois principais concorrentes.
O livro faz cinco referências negativas a Dilma Rousseff, candidata do PT, e nenhuma referência crítica a José Serra, candidato do PSDB.
(A Folha conta que o livro também faz uma referência irônica ao professor Roberto Mangabeira Unger, ex-ministro de Assuntos Estratégicos e que participa da coordenação da campanha de Dilma. Aí há uma bola dividida: Marina deixou o governo depois que Lula nomeou Mangabeira para coordenar os programas do governo relativos à Amazonia — numa tamanha demonstração de desprestígio por Marina que ela sentiu-se impossibilitada de permanecer no Ministério do Meio Ambiente).
Este tratamento não é uma supresa.
Marina Silva é uma militante histórica do PT e foi ministra do governo Lula desde o primeiro dia e só saiu do cargo na metade do segundo mandato.
Mesmo assim, na campanha presidencial, faz questão de manter uma posição equidistante entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Sempre que elogia um, dá um jeito de falar bem do outro — e vice-versa.
Não seria nada estranho — se ela fosse uma pesquisadora acadêmica. Como se trata de uma ex-ministra que fez carreira no governo de um partido que se tornou adversário histórico do PSDB, essa postura expressa uma nova direção política.
Não vamos discutir coerências ou princípios. Marina Silva tem uma biografia que merece todo respeito neste aspecto.
Mas, do ponto de vista das forças políticas organizadas, a ex-petista Marina Silva não está onde sempre esteve. Não foi para a esquerda, como Heloísa Helena no PSOL. Ficou mais próxima do PSDB e mais distante do PT.
E é dessa forma que ela é vista na campanha presidencial. Espera-se, no PSDB, que ajude José Serra a levar a campanha para o segundo turno. E espera-se, na segunda fase, que os votos verdes possam engordar o eleitorado tucano.
Essa é a grande dúvida, na verdade. Marina Silva montou um nucleo de campanha onde antigos companheiros do PT e das lutas ambientais dão o braço a empresários da sustentabilidade e acadêmicos de um conservadorismo sem disfarces.
Mas a base eleitoral popular de Marina pode ter dificuldade para aceitar José Serra como segunda opção. Não seria uma transição fácil em qualquer situação. Mas essa passagem pode tornar-se ainda mais difícil depois que o candidato do PSDB mudou o tom de campanha, adotou um discurso cada vez mais duro contra o governo Lula e contra o PT — onde se encontra a origem de Marina e da maioria de seus eleitores.